
O lateral Danilo abriu a coletiva de imprensa desejando boa recuperação a Carlos Alberto Parreira, técnico do tetracampeonato mundial em 1994. O ex-treinador está internado num hospital do Rio de Janeiro. Mas logo foi sincero sobre a estreia decepcionante da Seleção contra Marrocos: “Assustou”, admitiu Danilo. Ele respondia sobre o primeiro tempo do empate de 1 a 1 na estreia no grupo C da Copa do Mundo. Um dos mais experientes do grupo de Carlo Ancelotti, Danilo falou longamente sobre as escolhas do técnico italiano. Ele fez avaliação das primeiras três semanas de trabalho entre o início da preparação na Granja Comary e os EUA e, ainda, mandou recado a Endrick. O jovem atacante brasileiro não entrou em campo na estreia e tem sido muito citado por supostamente estar “no fim da fila” de Ancelotti. Danilo disse que ele impressiona nos treinos do dia a dia e que ele vai ser importante durante a Copa do Mundo. — Endrick é uma joia rara do futebol brasileiro. É um jogador de potência, de poder de decisão, estrela. Queremos tê--lo perto, hoje no treino ele fez gol. Ontem ele deu um chute no Nannetti (goleiro da base do Flamengo) e quase tirou o moleque do treino. É tudo que queremos ter. Queremos que ele tenha o maior protagonismo. Para mim, Casemiro, Neymar... É a nossa última chance, a Seleção vai continuar com essa galera. O que pudermos fazer para que ele se sintam importantes, nós faremos. No último jogo ele não entrou por decisão do Mister, é um jogador que vai ser importante — comentou o jogador, na coletiva de imprensa. “Eu digo: mantém a cabeça fresca. Ele será muito importante para a gente”, reiterou o lateral. O jogador foi franco sobre o estágio atual da Seleção. Sem diminuir o peso do time brasileiro, disse que a equipe ainda não tem a “maturidade” de outras grandes seleções do momento. — A melhor forma de crescer é encarar tudo com clareza. Temos que ter certeza que aquele primeiro tempo foi totalmente aquém das nossas capacidades. A não criação de uma identidade e trocas constantes (na CBF, de treinadores) têm influência na ansiedade (deFoto: Caean Couto/Reuters monstrada no jogo). Quando se tem algo coeso, você se agarra naquilo quando tudo fica difícil. Isso é uma coisa que não conseguimos construir. “Depois do jogo contra a França, falei a todos que não tínhamos a mesma maturidade deles, da Argentina. O que não quer dizer que não podemos chegar longe”, reiterou Danilo. — Temos que usar outros mecanismos. Talvez não pressionar tão alto, abrir mão da posse de bola e o comando do jogo seja do adversário. Isso é maturidade. Temos Raphinha, Vini, Endrick, Rayan... Na hora da brecha, temos gente para fazer gol. Vamos sofrer, sim, mas na hora de fazer vamos colocar a bola para dentro e segurar o resultado com a vida. A Seleção enfrenta o Haiti nesta sexta-feira, às 21h30, na Filadélfia, nos EUA, pela segunda rodada do grupo C da Copa do Mundo.